| Ano VII - nº 164 |
sexta-feira, 27 de março
de 2009
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Não vamos pagar pela crise!
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O MST participa das manifestações em defesa da
classe trabalhadora e contra a crise econômica mundial, ao lado das entidades
mais representativas do movimento sindical, estudantil e popular, nesta
segunda-feira (30/3). Os atos contra a crise, que foram discutidos na Assembléia
dos Movimentos Sociais, no Fórum Social Mundial, devem acontecer em todas as
capitais do país. Estão previstas manifestações entre 28 de março e 4 de abril
em todo o mundo.
Umas das reivindicações do movimentos popular, sindical e estudantil é a
realização da Reforma Agrária, como uma alternativa para a crise econômica, por
garantir a produção de alimentos e para fomentar as pequenas agroindústrias,
fortalecendo o mercado interno e promovendo justiça social.
A Reforma Agrária é a política mais eficaz para a geração de empregos no campo. Por isso defendemos o assentamento de todas as famílias acampadas no Brasil, além daqueles que foram desempregados pelo agronegócio. O governo não deve liberar recursos para as empresas que estão falindo e, sim, investir em uma linha de crédito especial para as famílias assentadas, garantindo a geração de empregos e a produção de alimentos.
O conjunto das forças populares devem seguir organizando lutas nos próximos dias e semanas para enfrentar o desemprego e impedir retrocessos para os trabalhadores. Vamos continuar a luta pela Reforma Agrária e por um novo modelo agrícola, que garanta melhores condições de vida à população do campo. Temos também que retomar o significado original de luta dos trabalhadores no 1º de Maio.
As mobilizações do dia 30 representam o começo de uma jornada de lutas. O povo brasileiro não vai assistir passivamente aos efeitos da crise do capital. Esperamos que a unidade das forças populares fomente lutas sociais em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, para a construção de um projeto popular de desenvolvimento para o Brasil .
Leia abaixo o manifesto da manifestação do dia 30, construído em conjunto por mais de 20 organizações.
Trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise!
Não às demissões! Pela redução dos juros, pelos investimentos públicos e
em defesa dos direitos trabalhistas e sociais!
O Brasil vai às ruas na próxima segunda-feira, 30 de março. Os trabalhadores e
trabalhadoras do campo e da cidade estarão unidos contra a crise e as demissões,
por emprego e salário, pela manutenção e ampliação de direitos, pela redução dos
juros e da jornada de trabalho sem redução de salários, pela Reforma Agrária e
em defesa dos investimentos em políticas sociais.
A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema
capitalista, os Estados Unidos, e atinge as economias menos desenvolvidas. Lá
fora - e também no Brasil -, estão sendo torrados trilhões de dólares para
cobrir o rombo das multinacionais, em um poço sem fim, mas o desemprego continua
se alastrando, podendo atingir mais 50 milhões de pessoas.
No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e
de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levaram à demissão de mais
de 800 mil trabalhadores nos últimos cinco meses.
O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultante de um sistema que entra em
crise periodicamente e transformou o planeta em um imenso cassino financeiro,
com regras ditadas pelo "deus mercado". Diante do fracasso desta lógica
excludente, querem que a classe trabalhadora pague a fatura em forma de
demissões, redução de salários e de direitos, injeção de recursos do BNDES nas
empresas que estão demitindo e criminalização dos movimentos sociais. Basta!
A precarização, o arrocho salarial e o desemprego enfraquecem o mercado interno,
deixando o país vulnerável e à mercê da crise, prejudicando fundamentalmente os
mais pobres; nas favelas e periferias, É preciso cortar drasticamente os juros,
reduzir a jornada sem reduzir os salários, acelerar a reforma agrária, ampliar
as políticas públicas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas
concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda
dos trabalhadores.
Manifestamos nosso apoio a todos os que sofreram demissões, em particular aos
4.270 funcionários da Embraer, ressaltando que estamos na luta pela readmissão.
O dia 30 também é simbólico, pois nesta data se lembra a defesa da terra
Palestina, a solidariedade contra a política terrorista do Estado de Israel,
pela soberania e auto-determinação dos povos.
Com este espírito de unidade e luta, vamos construir em todo o país grandes
mobilizações. O dia 30 de março será o primeiro passo da jornada. Some-se
conosco, participe!
NÃO ÀS DEMISSÕES!
REDUÇÃO DOS JUROS!
REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS E DIREITOS!
REFORMA AGRÁRIA JÁ!
POR SAÚDE, EDUCAÇÃO E MORADIA!
EM DEFESA DOS SERVIÇOS E SERVIDORES PÚBLICOS! SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO.